Foto: Carol Vital

Da Redação

O espetáculo “O Circo Fubanguinho”, da Trupe da Lona Preta da cidade de São Paulo é atração de hoje (31), no Distrito de Talhado. A apresentação gratuita e aberta ao público será às 19 horas, na Praça São Sebastião. 

A apresentação é realizada por meio do Proac (Programa de Ação Cultural) do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa e com apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

 “O Circo”

O espetáculo da Trupe Lona Preta é inspirado nas charangas, farsas e bufonarias. As músicas pontuam e costuram o enredo, que gira em torno de dois palhaços que são demitidos, pelo dono do circo e expulsos do picadeiro.

 Motivados por interesses diferentes, o dono do circo e os funcionários formam uma união de contrários. O primeiro polo representa a ordem, a produtividade e a eficiência; já o segundo simboliza a marginalidade, a ineficiência e improdutividade. Desse sistema de contradições são extraídos os elementos mais valiosos das cenas.

 “O Circo Fubanguinho” dá sequência a pesquisa estética e política do grupo. A elaboração das palhaçadas e das músicas se baseiam nas tradições populares com ênfase nos seus aspectos sociais, históricos e políticos. A pesquisa preza por colher o mais saudável da tradição, ou, pra ser mais exato, extrair o núcleo sadio do senso comum.

 Na construção do roteiro, na elaboração das figuras, nas piadas, na escolha e nas composições musicais, fazemos um recorte que considera, respeita e ressalta o ponto de vista da luta, da organização e das contradições da nossa classe. Como ponto de contato entre teoria social e prática teatral os palhaços atuam nos limites dos instintos mais básicos do ser humano: morar, comer, vestir, reproduzir. Dimensões humanas permanentemente ameaçadas e vilipendiadas pela ordem vigente.

Roteiro

O roteiro é uma sequência de cenas clássicas de palhaço, e é costurado por amplo repertório musical que comenta, pontua e estranha as ações. Nessa peça, motivados por interesses antagônicos, o dono do circo e os funcionários formam um polo contraditório. O primeiro, representando a ordem, a elegância, a produtividade, a eficiência; os segundos, símbolos da marginalidade, da ineficiência, da improdutividade. Daí, da contradição, se extrai os elementos mais valiosos das cenas.

 Fazer arte popular não significa fazer e dizer necessariamente “o que o povo quer ouvir”. Em “O Circo Fubanguinho” opera-se na tensão de seduzir e estranhar. Seduz para estranhar. Por isso na construção do roteiro e na elaboração das figuras, se misturam elementos do palhaço e do bufão. O primeiro aproxima o espectador, é um ser que quer se enquadrar, um ser que tenta, mas não consegue se adaptar; o segundo, o bufão, estranha, não se adapta, não pode e não quer se adaptar. Nessa fricção e na troca com o público o riso é extraído da desestabilização da ordem vigente, ou da sua insuficiência e da corrosão da ordem imposta pela verdade oficial. O riso desnaturaliza, desloca e cria fendas na aparente solidez do status quo. Dessas lacunas é possível captar ecos do mundo em devir, a alegre relatividade de todas as verdades limitadas de classe, o estado de não acabamento constante do mundo, a fusão permanente da mentira e da verdade, do mal e do bem, da morte e da vida.

 Ficha Técnica

“O Circo Fubanguinho”

Direção: Sergio Carozzi e Joel Carozzi

Elenco: Alexandre Matos, Henrique Alonso, Joel Carozzi, Sergio Carozzi e Wellington Bernado.

Produção: Henrique Alonso, Dona Méris e Xisté Marçal

Duração: 45 minutos

Classificação: Livre

Fonte: SMCS

Deixe um comentário