Foto: Vitão Natureza 

Da Redação

Cinco companhias de teatro trazem suas vivências e inquietações para a cena no espetáculo “Teatrópolis – A Casa de Noz”, que estreia em São José do Rio Preto no próximo domingo (08). Na montagem, a ação se passa dentro de uma casa invisível. A obra mistura artes visuais, música, dança e performance e tem apresentação gratuita às 18 horas, na Represa Municipal. Uma segunda apresentação acontece no dia 13, às 18 horas, na Praça Dom José Marcondes, área central. 

O projeto é do Agrupamento Núcleo 2, que foi contemplado na modalidade teatro na edição 2019 do Prêmio Nelson Seixas, realizado pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. Além do ator do Núcleo 2 Cassio Henrique, estão em cena artistas da Cia. dos Pés (Angélica Zignani); do GAL – Grupo de Apoio a Loucura (Murilo Gussi); da Cia. Ir e Vir (Tiago Mariusso), e do Núcleo Arcênico de Criações (Alexandre Manchini). 

Por meio de personagens que se misturam entre bichos e seres humanos, a obra busca fazer um paralelo simbólico com o modo de vida do indivíduo atual – monitorado por câmeras urbanas, dispositivos móveis e o embrutecimento do mecanismo social -, à casca de noz, rija e quase inquebrável, onde ao mesmo tempo em que protege o seu fruto, também o aprisiona. 

A partir do desenho de uma planta baixa de uma casa, criada pelos arquitetos Cintia Cotes e Léo Bauab, que assinam a direção de arte, personagens ocupam os cômodos demarcados no chão com ações que dialogam com a arquitetura, o controle e o cotidiano da cidade. 

Jef Telles, responsável pela concepção e direção geral, afirma que “Teatrópolis” usa o emblema da morte para falar da vida, do controle, das coisas que se plantam, das escolhas que não se fazem e das paredes invisíveis onde habita cada um. “O espetáculo recria um olhar ao interior do humano. Análogo ao momento social e político do país, corpos estranhos atuam como uma engrenagem dentro do ciclo da vida”, diz o diretor. “O que se vê é uma casa de paredes invisíveis que reflete o que há do lado de fora. Habitada por seres que mais se parecem com uma velha engrenagem, as situações se desenrolam na medida em que o controle ganha estímulos. O resultado desse enredo é a mistura das artes visuais, música, dança e a performance: a isso chamamos de Teatrópolis”, pontua. 

Na construção do espetáculo, os atores ocuparam os cômodos dessa casa invisível trazendo seus processos de pesquisas, inquietações e possibilidades criativas. Assistente de direção e provocador, Alexandre Manchini, do Núcleo Arcênico, trabalhou com improvisos e a preparação corporal. Gradativamente, as cenas criaram unidade dentro do conceito proposto.

O projeto teve como ponto de partida a veia experimental do grupo Fluxus, movimento que marcou as artes das décadas de 1960 e 70, opondo-se aos valores burgueses, às galerias e ao individualismo. Valorizando a criação coletiva, esses artistas integravam diferentes linguagens como música, cinema e dança, manifestando-se principalmente através de performances, happenings, instalações, entre outros suportes inovadores para a época. O nome Fluxus (do latim flux, significa modificação, escoamento, catarse) era, em princípio, o título de uma revista. Posteriormente, passou a designar as performances organizadas pelo artista lituano radicado nos Estados Unidos George Maciunas (1931-1978), criador do grupo.

 “O processo dramatúrgico de Teatrópolis passou por vários estágios”, continua Telles. Segundo ele, inicialmente, os grupos poderiam trazer fragmentos de cenas de espetáculos já existentes ou o experimento de novas possibilidades. “Acredito que temos um misto dessas duas categorias. A partir do conceito das suas criações aliado à estrutura do projeto, as cenas foram sendo criadas a partir de exercícios. A provocação prática solidificou a proposta e naturalmente o trabalho foi criando unidade. Ao final, poucos ajustes dramatúrgicos tiveram que ser feitos.”

 No espetáculo, a música funciona como elemento de atração, representado pelo trombone e saxofone (Maurício Zacarias), instrumentos que exigem naturalmente uma execução cênica, e a percussão (Filipe Murbak). A construção musical é essencialmente feita com improvisos, tendo como referência o artista minimalista John Cage, que com sua música fez parte do Fluxus.

 Serviço:

“Teatrópolis – A Casa de Noz”, com Agrupamento Núcleo 2. Dia 8/12, domingo, 18h, Represa Municipal (em frente ao Hospital AME). Dia 13/12, sexta-feira, 18h, Praça Dom José Marcondes. São José do Rio Preto/SP. Grátis. Livre. Duração: 70 minutos.

 Sinopse:

Uma casa de bichos e seres humanos alimentada por uma engrenagem sonora. Tal como um relógio, o sistema constrói e destrói os pedaços de carne da sua existência.

 Ficha técnica:

Concepção e direção geral: Jef Telles

Assistente de direção e provocação: Alexandre Manchini

Elenco: Angélica Zignani, Cassio Henrique, Murilo Gussi e Tiago Mariusso

Músicos: Filipe Murbak e Maurício Zacarias

Direção de arte e arquitetura da cena: Cintia Cotes e Léo Bauab

Produção: Daniela Honório

Fotografia: Jorge Etecheber e Victor Natureza

Registro audiovisual: Guilherme Di Curzio

 Fonte: Graziela Delalibera

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